Autor: Antonio Paulo de Moraes Leme

Engenheiro Eletricista (MSc em IA), atuante na indústria automobilística desde 1995. Ensaísta crítico e multidisciplinar, com interesses em filosofia, teologia, lógica, ética, estatística bayesiana, computação evolutiva, IA, teoria do direito e sociedade.

Observatório de Violência Doméstica | Edição: 31 de janeiro de 2026 Este artigo analisa crimes graves cometidos por mulheres no ambiente doméstico, focando em motivações que revelam padrões de controle, vingança ou dissimulação. A análise vai além do ato em si, investigando a “insidiosidade” da intenção por trás da violência. 1. Infanticídio por “Punição” e Exposição Digital (Minas Gerais) 2. Homicídio por Recusa Sexual e Brutalidade (Espírito Santo) 3. A Farsa do Acidente com Arma de Fogo (Minas Gerais) 4. Tentativa de Feminicídio entre Mulheres (Rio de Janeiro) 5. Agressão Físico-Moral contra Idosa (Rio Grande do Sul) Nota do Observatório:…

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Genealogia do Descentramento do Sujeito e a Dissolução da Agência no Identitarismo Contemporâneo Introdução Uma parte significativa do debate contemporâneo em torno de gênero, raça e identidade é marcada por uma tensão fundamental: ao mesmo tempo em que denuncia o essencialismo clássico e reivindica a fluidez das categorias sociais, o identitarismo parece reinstaurar novas essências normativas, agora sob linguagem emancipatória. Essa tensão não é meramente política ou retórica; ela possui raízes filosóficas profundas, relacionadas à forma como a modernidade tardia herdou e radicalizou operações conceituais oriundas do estruturalismo e do pós-estruturalismo. Este ensaio propõe uma genealogia dessa transformação intelectual, partindo…

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No artigo anterior, nós definimos VPI (Violência por Parceiro Íntimo) e delimitamos o que ela é (e o que ela não é). Agora começa a parte em que a conversa deixa de “parecer correta” e passa a ser checável: abrir fontes, explicitar filtros, exportar tabelas e publicar um caminho que qualquer pessoa consiga repetir. A meta aqui é simples e desconfortável: fazer o leitor conseguir refazer o percurso sem precisar acreditar na nossa interpretação. Se dá para replicar, dá para criticar com seriedade. Se não dá para replicar, vira crença — e crença é ótima para religião, péssima para metodologia.…

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Da unidade do intelecto ao machismo estrutural: o retorno do erro que desloca a ação Nota do Autor – Origem e escopo do ensaio Este ensaio foi motivado por um debate público — intenso, por vezes ríspido, mas intelectualmente revelador — em torno do conceito de “machismo estrutural”. A interlocução, travada com Jéssica Bueno em ambiente de rede social, trouxe à tona um ponto que merece exame rigoroso e sem atalhos retóricos: a insistência na ideia de que estruturas sociais podem operar como causas explicativas antecedentes da ação humana sem comprometer a agência individual. É precisamente essa tese — aqui…

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O elefante na sala tem barba — e ninguém fala sobre ele Quando falamos em violência por parceiro íntimo (VPI), a imagem mental mais comum é de uma mulher agredida por um homem. E com razão: mulheres são, de fato, a maioria esmagadora das vítimas notificadas. Mas isso não significa que homens estejam a salvo — só que, muitas vezes, estão invisíveis. O que é VPI, afinal? A VPI é uma forma de violência que ocorre entre pessoas que têm, ou tiveram, um vínculo afetivo ou sexual. Pode se manifestar como: A Organização Mundial da Saúde estima que uma em…

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1. Introdução: o casamento que ninguém quis ver Há alianças políticas que parecem improváveis apenas para quem se concentra nas aparências. O encontro entre feminismo carcerário e punitivismo evangélico-conservador — personificado no Brasil pelas figuras de Damares Alves e Magno Malta — não é um acidente histórico. Nem é um “desvio moral”, tampouco uma curiosidade sociológica.É um fenômeno estrutural, previsível, estudado, explicado e denunciado há décadas por feministas sérias — justamente aquelas que recusam o uso do sofrimento de mulheres como combustível para Estado penal. Se há algo que une setores do feminismo punitivo e setores do conservadorismo evangélico, é…

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COMO O PJPG DEGRADA A DIGNIDADE FEMININA E INVERTE A SENTENÇA DA CIDH NO CASO MÁRCIA BARBOSA “Parou o céu, esperou a terra, suspira o mundo pela resposta de uma mulher.”São Bernardo de Claraval “O diabo é o macaco de Deus.”Fulton Sheen 1. Introdução A dignidade humana, na tradição cristã, atinge seu ápice no modo como Deus decide entrar na história: não pela força, mas pela liberdade de uma mulher. A Encarnação — evento central da salvação — depende do consentimento racional e livre de Maria. Deus, que poderia tudo sem pedir nada, se curva à liberdade da criatura. Ele…

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Análise Crítica da Resolução 492/2023 à luz da Sentença da Corte IDH Resumo O artigo analisa a Resolução nº 492/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que institui o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero (PJPG), à luz da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Barbosa de Souza vs. Brasil (2021). A pesquisa reconhece que a Corte IDH identificou estereótipos de gênero que contaminaram a investigação e o processamento do feminicídio de Márcia Barbosa, determinando medidas de não repetição que incluem um protocolo nacional de investigação de feminicídios (§§201–202) e a capacitação de operadores do sistema…

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“Habitará só; a sua habitação será fora do arraial.”— Levítico 13:46 1. A lógica da exclusão: do arraial ao tribunal Desde as primeiras civilizações, a humanidade cria mecanismos simbólicos para separar o puro do impuro, o seguro do perigoso, o pertencente do exilado. O leproso do Levítico representa talvez a imagem mais contundente dessa exclusão. Ele não era apenas doente; era declarado ritualmente impuro — tamé — por um sacerdote que, ao pronunciar a sentença “impuro”, selava a morte social do indivíduo. Na modernidade, esse arquétipo ressurge em contextos aparentemente racionais. O homem falsamente acusado de violência doméstica, afastado do…

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