Introdução
Em 2014, o documentário argentino Borrando a Papá (Erasing Dad) provocou um terremoto nos debates sobre guarda, separação e alienação parental. Produzido por Gabriel Balanovsky e dirigido por Ginger Gentile e Sandra Fernández Ferreira, o filme narra a luta de seis pais que, após o divórcio, ficaram impedidos de conviver com seus filhos. Eles denunciam que a justiça argentina privilegiava automaticamente as mães e afastava os pais com base em denúncias sem prova es.wikipedia.org. O filme, apoiado inicialmente pelo Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais (INCAA), teve sua estreia suspensa por pressões políticas e judiciais, episódio que os produtores classificaram como censura web.archive.org.

Escrito para o Blog do Instituto de Defesa dos Direitos dos Homens (IDDH) por ocasião do Dia dos Pais, este ensaio resgata a mensagem central de Borrando a Papá: denunciar a misandria institucional — preconceito que marginaliza a figura paterna — e clamar por justiça equilibrada. Em um momento em que projetos no Congresso brasileiro ameaçam revogar a Lei de Alienação Parental, a experiência argentina serve como alerta e inspiração.
A narrativa do filme: pais apagados da vida dos filhos
O documentário alterna relatos emocionais com entrevistas de especialistas. Os pais entrevistados descrevem longos processos judiciais nos quais foram acusados de violência ou abuso sem que provas fossem apresentadas. Enquanto isso, a guarda provisória permanecia com as mães, e os pais eram transformados em visitantes ocasionais ou proibidos de ver os filhos myfloridalaw.com. Psicólogos e advogados entrevistados admitem que denúncias sem investigação geram medidas de afastamento que podem se prolongar por anos web.archive.org.
Mais chocante é a inversão do princípio constitucional de inocência: em alguns tribunais argentinos, homens eram considerados culpados até que provassem sua inocência. A psicóloga Liliana Hendel exemplificou esse raciocínio ao defender que, em casos de violência de gênero, “a palavra da mulher deve ser acreditada sobre a do homem” e que a justiça deveria inverter a carga da prova es.wikipedia.org. Essa perspectiva revela como a misandria institucional naturaliza suspeitas sobre os pais e dificulta a reconstrução de laços familiares.
Ao retratar seis histórias concretas, Borrando a Papá demonstra como a perda do vínculo paterno afeta não só os homens, mas também as crianças. Sem a convivência regular, os filhos crescem sem referências, sem apoio financeiro e emocional dos pais, e muitas vezes são manipulados para odiá‑los. O documentário denuncia que essa alienação parental é alimentada por profissionais que lucram com litígios prolongados e por estereótipos que tratam todos os homens como potenciais agressores.
Censura e superação
A estreia do filme foi marcada por controvérsia. Na semana em que seria lançado com apoio do INCAA, grupos ligados a organizações feministas acusaram a obra de incentivar a violência e de defender um “síndrome” inexistente. Em decorrência da pressão, a exibição foi suspensa sob pretexto burocrático web.archive.org. O jornal La Nación registrou que as diretoras denunciaram a medida como censura e que as cópias clandestinas rapidamente se espalharam web.archive.org. A tentativa de silenciar a obra surtiu efeito contrário: multiplicaram‑se as visualizações e o debate ganhou as redes sociais.
A repercussão internacional estimulou debates sobre alienação parental em programas de televisão, universidades e tribunais. A equipe de produção distribuiu DVDs gratuitamente e disponibilizou o filme na internet. Hoje, a versão integral está acessível no YouTube, permitindo que pais e profissionais do direito reflitam sobre a parcialidade judicial e sobre o direito das crianças à convivência com ambos os genitores.
Impacto e legado: reformas e conscientização
Apesar das críticas de setores feministas, Borrando a Papá provocou mudanças concretas. O site oficial do projeto relata que o documentário “expôs a corrupção nos tribunais e a discriminação contra os pais” e que, embora censurado, foi utilizado em universidades e treinamentos para juízes erasingfamily.org. A repercussão levou a sociedade argentina a reconhecer que muitos pais são vítimas de acusações infundadas, e gerou pressão por reformas legais. Em entrevista posterior, Ginger Gentile afirmou que o filme contribuiu para a aprovação de leis que aboliram o viés automático em favor das mães e permitiram a guarda compartilhada myfloridalaw.com.
No exterior, analistas observaram que a narrativa de Gentile e Balanovsky mudou a percepção pública. A jornalista Bettina Arndt, por exemplo, lembrou que a obra mostrou “a discriminação que os pais sofrem quando querem participar da vida dos filhos” e que isso incentivou reformas para permitir a custódia conjunta spectator.com.au. Esses avanços demonstram que denunciar injustiças pode promover soluções legais equilibradas, beneficiando tanto mães quanto pais e, principalmente, as crianças.
Lições para o Brasil e mensagem para o Dia dos Pais
A experiência argentina ilumina o debate brasileiro sobre a Lei 12.318/2010, que define alienação parental. Propostas de revogação defendem a narrativa de que a lei permitiria que agressores se escondessem atrás do discurso de alienação. Contudo, Borrando a Papá evidencia que retirar instrumentos legais de proteção aos vínculos parentais pode resultar na eliminação do pai da vida da criança. O documentário mostra que é possível combater a violência doméstica sem demonizar todos os pais. Isso requer investigação rigorosa das denúncias, acompanhamento psicológico e decisões de guarda baseadas em evidências, não em estereótipos.
Neste Dia dos Pais, devemos lembrar que ser pai não é apenas prover sustento; é estar presente, educar, amar e aprender com os filhos. Ao assistir Borrando a Papá, percebemos que a sociedade ainda carrega preconceitos que podem separar pais amorosos de suas crianças. A melhor homenagem ao Dia dos Pais, portanto, é lutar por um sistema jurídico que respeite o princípio da presunção de inocência, investigue fatos com seriedade e garanta às crianças o direito de conviver com ambos os genitores.
Referências
ARNDT, Bettina. White Ribbon – The Spectator Australia. Sydney: The Spectator Australia, 7 out. 2019. Disponível em: https://www.spectator.com.au/2019/10/white-ribbon/. Acesso em: 9 ago. 2025 spectator.com.au.
WIKIPÉDIA. Borrando a Papá. Wikipédia, a enciclopédia livre, 2024. Disponível em: https://es.wikipedia.org/wiki/Borrando_a_pap%C3%A1. Acesso em: 9 ago. 2025 es.wikipedia.orges.wikipedia.org.
LA NACIÓN. Borrando a papá, el documental que abrió una fuerte polémica. Buenos Aires: La Nación, 4 set. 2014. Disponível em: https://web.archive.org/web/20140909065249/http://www.lanacion.com.ar/1732941-borrando-a-papa-el-documental-que-abrio-una-fuerte-polemica. Acesso em: 9 ago. 2025 web.archive.orgweb.archive.org.
GENTILE, Ginger; BALANOVSKY, Gabriel; FERNÁNDEZ FERREIRA, Sandra. Borrando a Papá [documentário]. Argentina: 2014. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Wa6qHfqMhRY&t=1455s. Acesso em: 9 ago. 2025.
GENTILE, Ginger. Meet the filmmakers – Erasing Dad. Erasing Family, 2017. Disponível em: https://www.erasingfamily.org/erasing-dad-meet-the-filmmakers. Acesso em: 9 ago. 2025 erasingfamily.org.
GENTILE, Ginger. Heartbreaking documentary reveals millions of abandoned parents. West Palm Beach: Family Law Blog, 2019. Disponível em: https://www.westpalmbeachdivorcelawyerblog.com/heartbreaking-documentary-reveals-millions-of-abandoned-parents/. Acesso em: 9 ago. 2025 myfloridalaw.com.

1 comentário
Parabéns. Excelente conteúdo.
Agradeço por difundir informações que muitos homens vivem (ou já vivenciaram), sobretudo quando acabam submetidos, de forma automática, a medidas e presunções sem a devida avaliação crítica do caso concreto.
Sou homem e sofri dano emocional. Minhas ações foram controladas (prestação de contas, direcionamento do fruto do meu trabalho para conta em nome dela). Meus comportamentos foram limitados (impedimento de atingir metas profissionais, restrição de tempo para lazer e saídas). Minhas decisões eram continuamente direcionadas por manipulação e imposição.
Houve isolamento progressivo: meu único meio de socialização passou a ser com ela e com a família dela. Ao perceber esse quadro, adoeci e me retirei da relação.
A perversidade foi tamanha que cheguei a acreditar que aquilo era amor, quando, na prática, eu me sentia instrumentalizado. Somou-se a isso o fato de eu ter encontrado, meses antes do anúncio da gravidez, exames relacionados à fertilidade dela, o que intensificou minha percepção de que havia um objetivo prévio.
Após o término, vivi o pior cenário: a ausência de máscara e a exposição de condutas que, antes, pareciam disfarçadas. Com o tempo, recuperei-me. E deixo um alerta sincero: antes de se relacionar, busque informação, observe sinais, não se iluda.