{"id":7444,"date":"2025-08-03T14:00:24","date_gmt":"2025-08-03T17:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/?p=7444"},"modified":"2025-08-03T14:00:25","modified_gmt":"2025-08-03T17:00:25","slug":"neuroevolucao-comportamento-humano-e-a-critica-a-teoria-do-machismo-estrutural-uma-analise-baseada-em-evidencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/neuroevolucao-comportamento-humano-e-a-critica-a-teoria-do-machismo-estrutural-uma-analise-baseada-em-evidencias\/","title":{"rendered":"Neuroevolu\u00e7\u00e3o, Comportamento Humano e a Cr\u00edtica \u00e0 Teoria do Machismo Estrutural: Uma An\u00e1lise Baseada em Evid\u00eancias"},"content":{"rendered":"\n<p>A teoria do machismo estrutural, frequentemente discutida no contexto das ci\u00eancias sociais, sugere que as desigualdades de g\u00eanero, especialmente aquelas que favorecem os homens, s\u00e3o perpetuadas por estruturas sociais e culturais profundamente enraizadas. Essa perspectiva, no entanto, muitas vezes carece de uma base emp\u00edrica robusta e desconsidera insights fornecidos por estudos em neuroevolu\u00e7\u00e3o e psicologia comportamental, como os explorados por Robert Cialdini em seu livro <em>Influence: The Psychology of Persuasion<\/em>. Este artigo examina como as pesquisas em neuroevolu\u00e7\u00e3o e os conceitos de rea\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica e controlada apresentados por Cialdini desafiam a narrativa do machismo estrutural, destacando a falta de sustenta\u00e7\u00e3o emp\u00edrica dessa teoria social.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/e\/e4\/Johannes_Vermeer_-_The_Astronomer_-_1668.jpg\/800px-Johannes_Vermeer_-_The_Astronomer_-_1668.jpg\" alt=\"undefined\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>\u201cO Astr\u00f4nomo\u201d, de Johannes Vermeer (1668).<\/strong><br>Enquanto ideologias erguem v\u00e9us sobre a realidade, o verdadeiro esp\u00edrito cient\u00edfico \u2014 aqui encarnado na figura do astr\u00f4nomo \u2014 busca a ordem nas evid\u00eancias, n\u00e3o no consenso. Com os olhos voltados para o c\u00e9u e as m\u00e3os firmes sobre os instrumentos da raz\u00e3o, ele representa a oposi\u00e7\u00e3o entre a luz do real e as trevas da narrativa. Seu gesto denuncia: n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a poss\u00edvel onde se pro\u00edbe o olhar.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rea\u00e7\u00f5es Autom\u00e1ticas e Controladas em Cialdini<\/h2>\n\n\n\n<p>Robert Cialdini, em <em>Influence<\/em>, explora como os seres humanos frequentemente tomam decis\u00f5es baseadas em atalhos cognitivos, ou &#8220;rea\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas&#8221;, que s\u00e3o respostas r\u00e1pidas e instintivas moldadas por press\u00f5es evolutivas. Ele afirma:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cN\u00f3s usamos esses atalhos porque a complexidade do mundo moderno exige que tomemos decis\u00f5es rapidamente, muitas vezes sem tempo para uma an\u00e1lise completa\u201d<br>\u2014 Cialdini (2021, p. 6)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essas rea\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas contrastam com as &#8220;rea\u00e7\u00f5es controladas&#8221;, que envolvem processos cognitivos mais deliberados e conscientes, frequentemente modulados por contexto social e aprendizado cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto de vi\u00e9s sexual, Cialdini sugere que homens e mulheres podem exibir diferen\u00e7as em suas respostas autom\u00e1ticas devido a fatores evolutivos, como estrat\u00e9gias reprodutivas distintas. Ele observa:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cOs seres humanos, como outros animais, desenvolveram comportamentos que maximizam a sobreviv\u00eancia e a reprodu\u00e7\u00e3o, muitas vezes de forma inconsciente.\u201d<br>\u2014 Cialdini (2021, p. 12)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essas diferen\u00e7as n\u00e3o implicam superioridade de um g\u00eanero sobre o outro, mas refletem adapta\u00e7\u00f5es evolutivas que moldaram prefer\u00eancias e comportamentos ao longo de mil\u00eanios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Contribui\u00e7\u00f5es da Neuroevolu\u00e7\u00e3o para o Comportamento Humano<\/h2>\n\n\n\n<p>A neuroevolu\u00e7\u00e3o, ao integrar achados da neuroci\u00eancia com pressupostos da psicologia evolutiva, tem evidenciado com rigor emp\u00edrico que muitos comportamentos humanos \u2014 inclusive diferen\u00e7as observ\u00e1veis entre homens e mulheres \u2014 s\u00e3o frutos de adapta\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas moldadas ao longo da evolu\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de constru\u00e7\u00f5es sociais arbitr\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>David Buss, pioneiro da psicologia evolutiva, afirma categoricamente:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cAs diferen\u00e7as sexuais em estrat\u00e9gias de acasalamento s\u00e3o resultado de press\u00f5es seletivas distintas: homens tendem a priorizar a fertilidade e a juventude, enquanto mulheres frequentemente buscam parceiros com recursos e status.\u201d<br>\u2014 Buss (1989, p. 2)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essas estrat\u00e9gias comportamentais s\u00e3o universais, replic\u00e1veis em estudos transculturais e n\u00e3o dependem de contextos hist\u00f3ricos ou institui\u00e7\u00f5es patriarcais. Trata-se de padr\u00f5es adaptativos recorrentes, n\u00e3o imposi\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>A neuroci\u00eancia refor\u00e7a essa interpreta\u00e7\u00e3o ao identificar diferen\u00e7as funcionais claras em \u00e1reas cerebrais associadas \u00e0 cogni\u00e7\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o, como a am\u00edgdala e o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal. Um estudo publicado na <em>Scientific Reports<\/em> (2019) indicou que identidades sexuais e sociais modulam diretamente respostas autom\u00e1ticas a est\u00edmulos, de forma previs\u00edvel e mensur\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa previsibilidade biol\u00f3gica torna insustent\u00e1vel qualquer teoria que, como o \u201cmachismo estrutural\u201d, pretenda explicar as diferen\u00e7as entre os sexos apenas com base em opress\u00f5es institucionais. Ao ignorar tais dados, a teoria abdica do m\u00e9todo cient\u00edfico em nome de uma narrativa ideol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Contradi\u00e7\u00f5es \u00e0 Teoria do Machismo Estrutural<\/h2>\n\n\n\n<p>A teoria do machismo estrutural sustenta que as desigualdades entre homens e mulheres decorrem de um sistema de domina\u00e7\u00e3o culturalmente reproduzido, no qual os homens estariam sistematicamente em posi\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio. No entanto, essa formula\u00e7\u00e3o falha em tr\u00eas n\u00edveis fundamentais: evid\u00eancia emp\u00edrica, consist\u00eancia l\u00f3gica e poder preditivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, ao atribuir comportamento masculino e feminino exclusivamente a constru\u00e7\u00f5es sociais, essa teoria colide frontalmente com d\u00e9cadas de estudos replic\u00e1veis em neuroci\u00eancia e psicologia evolutiva. Sarah Hrdy, uma das mais respeitadas antrop\u00f3logas evolucionistas, refuta a ideia de submiss\u00e3o natural da f\u00eamea:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cAs f\u00eameas de muitas esp\u00e9cies, incluindo humanas, n\u00e3o s\u00e3o passivas ou \u2018coy\u2019, mas implementam estrat\u00e9gias de acasalamento flex\u00edveis e assertivas.\u201d<br>\u2014 Hrdy (1981, p. 15)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa constata\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas desmistifica o mito da passividade feminina como tamb\u00e9m evidencia que a teoria do machismo estrutural \u2014 ao ignorar dados evolutivos \u2014 reconstr\u00f3i artificialmente o papel da mulher a partir de um vi\u00e9s ideol\u00f3gico de v\u00edtima permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a teoria do machismo estrutural \u00e9 epistemologicamente circular: parte da hip\u00f3tese de opress\u00e3o, interpreta qualquer dado por esse prisma e depois a reafirma como se fosse prova. Aus\u00eancia de refutabilidade \u00e9 o que Popper chamou de pseudoci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, ao desconsiderar fatores neurobiol\u00f3gicos e rea\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas (como as documentadas por Cialdini), essa teoria torna-se incapaz de explicar, por exemplo, a ocorr\u00eancia de comportamentos semelhantes entre os sexos mesmo em culturas isoladas e n\u00e3o patriarcais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cr\u00edtica \u00e0 Falta de Sustenta\u00e7\u00e3o Emp\u00edrica<\/h2>\n\n\n\n<p>O machismo estrutural \u00e9 amplamente promovido em ambientes acad\u00eamicos e institucionais, mas n\u00e3o resiste a uma an\u00e1lise baseada em crit\u00e9rios cient\u00edficos. Seu maior problema \u00e9 a aus\u00eancia de evid\u00eancia emp\u00edrica robusta que o sustente como modelo explicativo predominante para diferen\u00e7as de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>Steven Pinker adverte:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cTeorias sociais que atribuem todo comportamento humano a estruturas culturais frequentemente ignoram dados biol\u00f3gicos e evolutivos, o que leva a explica\u00e7\u00f5es simplistas para fen\u00f4menos complexos.\u201d<br>\u2014 Pinker (2002, p. 112)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, o que se encontra nos estudos que embasam a teoria \u00e9 um repert\u00f3rio limitado a entrevistas qualitativas, estudos de caso isolados e analogias especulativas \u2014 sem controle de vari\u00e1veis, sem replicabilidade e sem correla\u00e7\u00e3o estat\u00edstica robusta.<\/p>\n\n\n\n<p>A cr\u00edtica contempor\u00e2nea \u00e0 psicologia evolucionista por parte dos defensores do machismo estrutural n\u00e3o ocorre por meio da refuta\u00e7\u00e3o de seus dados, mas por sua exclus\u00e3o do debate. Isso n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia \u2014 \u00e9 dogma.<\/p>\n\n\n\n<p>Como demonstrado por estudos publicados na <em>Evolutionary Human Sciences<\/em> (Cambridge University Press, 2023), atribuir as desigualdades exclusivamente a estruturas sociais ignora a complexidade das intera\u00e7\u00f5es entre biologia, cultura e escolha individual. Isso \u00e9 especialmente grave quando se utiliza a teoria como base para pol\u00edticas p\u00fablicas ou decis\u00f5es judiciais, transformando cren\u00e7as militantes em instrumento de coer\u00e7\u00e3o estatal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Fal\u00e1cia Naturalista e o Esvaziamento do Debate Cient\u00edfico<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das rea\u00e7\u00f5es mais comuns \u2014 e fr\u00e1geis \u2014 \u00e0 psicologia evolutiva por parte dos defensores da teoria do machismo estrutural \u00e9 a invoca\u00e7\u00e3o da chamada \u201cfal\u00e1cia naturalista\u201d. Segundo esse argumento, o simples fato de algo ter ra\u00edzes biol\u00f3gicas ou ser \u201cnatural\u201d n\u00e3o significa que ele deva ser aceito ou moralmente justificado.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora essa distin\u00e7\u00e3o entre <em>ser<\/em> e <em>dever ser<\/em> (fato e valor) seja v\u00e1lida no plano \u00e9tico, seu uso como obje\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 falacioso. Como bem observou o fil\u00f3sofo Edward O. Wilson:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO prop\u00f3sito da biologia evolutiva n\u00e3o \u00e9 prescrever moralidade, mas descrever tend\u00eancias humanas que surgiram por adapta\u00e7\u00e3o. Ignorar tais tend\u00eancias por obje\u00e7\u00e3o moral \u00e9 como recusar dados sobre gravidade por serem \u2018injustos\u2019.\u201d<br>\u2014 Wilson, 1975<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Steven Pinker refor\u00e7a essa cr\u00edtica:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cApontar um tra\u00e7o como parte da natureza humana n\u00e3o \u00e9 endoss\u00e1-lo. O mesmo argumento foi usado no passado para atacar Darwin \u2014 e com os mesmos equ\u00edvocos.\u201d<br>\u2014 Pinker (2002, p. 179)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O uso indevido da fal\u00e1cia naturalista tem permitido que ideologias como o machismo estrutural descartem a biologia como se fosse um risco \u00e9tico, quando na verdade ela fornece insumos objetivos para a compreens\u00e3o das diferen\u00e7as humanas. Rejeitar dados neuroevolutivos por medo de justifica\u00e7\u00f5es morais \u00e9 recusar a ci\u00eancia com base em cren\u00e7as ideol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o pr\u00f3prio machismo estrutural incorre na <em>fal\u00e1cia inversa<\/em>: a de que, por algo ser injusto ou indesej\u00e1vel, deve necessariamente ter origem social e estar sujeito \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Trata-se de um reducionismo t\u00e3o dogm\u00e1tico quanto o que dizem combater.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Implica\u00e7\u00f5es para Pol\u00edticas P\u00fablicas e Epistemologia Social<\/h2>\n\n\n\n<p>A ado\u00e7\u00e3o acr\u00edtica do machismo estrutural como premissa em pol\u00edticas p\u00fablicas, jurisprud\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o representa uma distor\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica com consequ\u00eancias severas. Ao operar com base em uma teoria n\u00e3o validada empiricamente, o Estado incorre no risco de violar princ\u00edpios de imparcialidade, simetria jur\u00eddica e dignidade humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplos disso s\u00e3o observados em protocolos judiciais com \u201cperspectiva de g\u00eanero\u201d, que invertem o \u00f4nus da prova, relativizam o contradit\u00f3rio e criam classes presumidas de opressor e oprimido \u2014 tudo em nome de uma estrutura invis\u00edvel que n\u00e3o se submete a testes emp\u00edricos. Tal estrutura, por sua pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 imune \u00e0 refuta\u00e7\u00e3o: qualquer dado contr\u00e1rio \u00e9 descartado como exce\u00e7\u00e3o ou produto da pr\u00f3pria opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, portanto, de um modelo autoimune \u00e0 cr\u00edtica, como advertia Karl Popper sobre sistemas ideol\u00f3gicos que se blindam contra a falsifica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA caracter\u00edstica central da ci\u00eancia \u00e9 a sua refutabilidade. Quando uma teoria n\u00e3o pode ser falseada nem em princ\u00edpio, ela pertence ao campo da metaf\u00edsica \u2014 ou da propaganda.\u201d<br>\u2014 Popper (1934)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista da epistemologia social, o machismo estrutural se apresenta mais como um mito funcional \u2014 \u00fatil para determinados grupos ativistas \u2014 do que como um modelo cient\u00edfico de an\u00e1lise social. Substitui a busca pela verdade por narrativas de poder, e a investiga\u00e7\u00e3o objetiva por doutrina\u00e7\u00e3o emocional. O resultado \u00e9 a eros\u00e3o da racionalidade p\u00fablica e o sequestro da ci\u00eancia por interesses identit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o: Pela Supera\u00e7\u00e3o do Dogma e a Reconcilia\u00e7\u00e3o com a Evid\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao integrar as descobertas da neuroevolu\u00e7\u00e3o, os estudos de comportamento autom\u00e1tico descritos por Cialdini e as evid\u00eancias replic\u00e1veis da psicologia evolutiva, torna-se insustent\u00e1vel a manuten\u00e7\u00e3o do \u201cmachismo estrutural\u201d como explica\u00e7\u00e3o abrangente para as diferen\u00e7as entre os sexos.<\/p>\n\n\n\n<p>O comportamento humano \u00e9 moldado por uma complexa intera\u00e7\u00e3o entre fatores biol\u00f3gicos, hist\u00f3ricos, culturais e circunstanciais. Negar qualquer desses vetores \u2014 especialmente os biol\u00f3gicos \u2014 por motivos ideol\u00f3gicos n\u00e3o \u00e9 apenas anticient\u00edfico: \u00e9 intelectualmente desonesto.<\/p>\n\n\n\n<p>A supera\u00e7\u00e3o do dogma exige coragem epist\u00eamica. Como escreveu Viktor Frankl:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEntre o est\u00edmulo e a resposta existe um espa\u00e7o. Nesse espa\u00e7o est\u00e1 o nosso poder de escolher nossa resposta. Na nossa resposta est\u00e1 o nosso crescimento e nossa liberdade.\u201d<br>\u2014 Frankl (1946)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse espa\u00e7o \u2014 entre os impulsos biol\u00f3gicos e as constru\u00e7\u00f5es sociais \u2014 que devemos buscar um entendimento mais honesto da condi\u00e7\u00e3o humana. N\u00e3o para justificar injusti\u00e7as, mas para combat\u00ea-las com base na verdade, e n\u00e3o na ideologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma teoria que ignora a realidade emp\u00edrica para preservar coer\u00eancia pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 cient\u00edfica \u2014 \u00e9 sacerdotal. E n\u00e3o cabe \u00e0 ci\u00eancia ocupar o p\u00falpito dos dogmas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p>BUSS, David M. Sex differences in human mate preferences: evolutionary hypotheses tested in 37 cultures. Behavioral and Brain Sciences, v. 12, n. 1, p. 1\u201349, 1989.<\/p>\n\n\n\n<p>CIALDINI, Robert B. Influence: The Psychology of Persuasion. New York: Harper Business, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>HRDY, Sarah B. The Woman That Never Evolved. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1981.<\/p>\n\n\n\n<p>PINKER, Steven. The Blank Slate: The Modern Denial of Human Nature. New York: Viking, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>SCIENTIFIC REPORTS. An fMRI study on the neural correlates of social conformity to a sexual minority. Scientific Reports, v. 9, 2019. DOI: 10.1038\/s41598-019-40447-3.<\/p>\n\n\n\n<p>CAMBRIDGE UNIVERSITY PRESS. The use and misuse of evolutionary psychology in online manosphere communities: The case of female mating strategies. Evolutionary Human Sciences, v. 5, 2023. DOI: 10.1017\/ehs.2023.7.<\/p>\n\n\n\n<p>POPPER, Karl. The Logic of Scientific Discovery. London: Routledge, 1934.<\/p>\n\n\n\n<p>WILSON, Edward O. Sociobiology: The New Synthesis. Cambridge: Harvard University Press, 1975.<\/p>\n\n\n\n<p>FRANKL, Viktor E. Man&#8217;s Search for Meaning. Boston: Beacon Press, 1946.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A teoria do machismo estrutural, frequentemente discutida no contexto das ci\u00eancias sociais, sugere que as desigualdades de g\u00eanero, especialmente aquelas que favorecem os homens, s\u00e3o perpetuadas por estruturas sociais e culturais profundamente enraizadas. Essa perspectiva, no entanto, muitas vezes carece de uma base emp\u00edrica robusta e desconsidera insights fornecidos por estudos em neuroevolu\u00e7\u00e3o e psicologia<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[128,135,139,126,133,134,127,129,136,124,122,125,137,140,123,138,130,132,131,141],"class_list":{"0":"post-7444","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-opiniao","7":"tag-ciencia-versus-ideologia","8":"tag-comportamento-humano","9":"tag-construcao-social-de-genero","10":"tag-critica-ao-feminismo","11":"tag-david-buss","12":"tag-diferencas-sexuais","13":"tag-direito-e-biologia","14":"tag-evolucao-humana","15":"tag-falacia-naturalista","16":"tag-machismo-estrutural","17":"tag-neurociencia-comportamental","18":"tag-patriarcado","19":"tag-persuasao","20":"tag-psicologia-do-comportamento","21":"tag-psicologia-evolutiva","22":"tag-reacoes-automaticas","23":"tag-robert-cialdini","24":"tag-sarah-hrdy","25":"tag-steven-pinker","26":"tag-teoria-do-patriarcado"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7444","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7444"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7444\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7446,"href":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7444\/revisions\/7446"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7444"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7444"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}