{"id":7397,"date":"2025-07-28T00:00:00","date_gmt":"2025-07-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/?p=7397"},"modified":"2025-07-28T06:22:10","modified_gmt":"2025-07-28T09:22:10","slug":"desconstrucao-da-masculinidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/desconstrucao-da-masculinidade\/","title":{"rendered":"Reengenharia Simb\u00f3lica: A Guerra Contra a Masculinidade"},"content":{"rendered":"\n<p>Este ensaio prop\u00f5e uma an\u00e1lise cr\u00edtica da desconstru\u00e7\u00e3o da masculinidade tradicional no contexto das pol\u00edticas de g\u00eanero promovidas internacionalmente, com \u00eanfase nos efeitos simb\u00f3licos, sociais e jur\u00eddicos produzidos por essa reengenharia cultural. Fundamentado nas cr\u00edticas de Juan Claudio Sanahuja, Warren Farrell, Teun van Dijk e Jean Baudrillard, o texto argumenta que o discurso dominante sobre igualdade de g\u00eanero, ao ser instrumentalizado por certos organismos internacionais e elites pol\u00edticas, tem promovido uma culpabiliza\u00e7\u00e3o estrutural dos homens, apagando experi\u00eancias leg\u00edtimas de sofrimento e sacrificando a complementaridade entre os sexos em nome de uma nova ortodoxia identit\u00e1ria. S\u00e3o examinadas as estrat\u00e9gias discursivas, os impactos culturais e as consequ\u00eancias sociais dessa demoniza\u00e7\u00e3o institucionalizada do masculino, com aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s distor\u00e7\u00f5es geradas no campo educacional, familiar e jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: masculinidade; ideologia de g\u00eanero; desconstru\u00e7\u00e3o; misandria; discurso; reengenharia social.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, o debate global sobre igualdade de g\u00eanero passou por uma transforma\u00e7\u00e3o paradigm\u00e1tica. Aquilo que inicialmente parecia uma agenda voltada \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o dos direitos das mulheres e \u00e0 corre\u00e7\u00e3o de desigualdades hist\u00f3ricas assumiu, em diversos contextos, o contorno de um projeto mais amplo de reengenharia simb\u00f3lica e antropol\u00f3gica. No centro dessa transforma\u00e7\u00e3o est\u00e1 a figura do homem \u2014 especialmente o homem associado a pap\u00e9is tradicionais de provis\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o, lideran\u00e7a familiar \u2014 que se tornou objeto de crescentes campanhas de suspei\u00e7\u00e3o, deslegitima\u00e7\u00e3o e culpabiliza\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Autores como o monsenhor Juan Claudio Sanahuja identificam nesse processo um elemento central da \u201cnova religi\u00e3o secular\u201d promovida por organismos internacionais como a ONU e seus \u00f3rg\u00e3os correlatos. Para Sanahuja (2005), sob o pretexto da igualdade e da sa\u00fade reprodutiva, essas institui\u00e7\u00f5es operam uma substitui\u00e7\u00e3o de valores morais objetivos por uma \u00e9tica relativista e identit\u00e1ria, em que o homem \u00e9 recodificado como obst\u00e1culo \u00e0 justi\u00e7a social (SANAHUJA, 2005, p. 187-190).<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ensaio, sustenta-se que a chamada \u201cguerra contra a masculinidade\u201d configura um eixo essencial da reengenharia simb\u00f3lica em curso. Amparando-se nos estudos de Warren Farrell sobre a falsidade do \u201cpoder masculino\u201d (1993), nas an\u00e1lises discursivas de Teun van Dijk (2008) e na cr\u00edtica cultural de Jean Baudrillard sobre a \u201cnova ordem das v\u00edtimas\u201d (1995), demonstra-se que a demoniza\u00e7\u00e3o institucionalizada do homem n\u00e3o apenas distorce a realidade hist\u00f3rica, mas tamb\u00e9m engendra injusti\u00e7as sim\u00e9tricas sob o disfarce da justi\u00e7a. Tal processo n\u00e3o conduz \u00e0 verdadeira igualdade, mas \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o de um desequil\u00edbrio por outro.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"566\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Andrea_Mantegna_-_St_Sebastian_-_WGA13975-566x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7399\" style=\"width:289px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Andrea_Mantegna_-_St_Sebastian_-_WGA13975-566x1024.jpg 566w, https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Andrea_Mantegna_-_St_Sebastian_-_WGA13975-166x300.jpg 166w, https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Andrea_Mantegna_-_St_Sebastian_-_WGA13975-150x271.jpg 150w, https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Andrea_Mantegna_-_St_Sebastian_-_WGA13975-450x814.jpg 450w, https:\/\/iddh.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Andrea_Mantegna_-_St_Sebastian_-_WGA13975.jpg 662w\" sizes=\"(max-width: 566px) 100vw, 566px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>S\u00e3o Sebasti\u00e3o<\/em> (c. 1480), Andrea Mantegna. T\u00eampera e \u00f3leo sobre madeira. Retrata o m\u00e1rtir perfurado por flechas, evocando o homem sacrificado pelo imagin\u00e1rio coletivo e o sil\u00eancio em torno de sua vulnerabilidade.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>2. A demoniza\u00e7\u00e3o estrutural do masculino<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>No vocabul\u00e1rio da teoria de g\u00eanero, o termo \u201cpatriarcado\u201d se consolidou como metanarrativa explicativa de todas as desigualdades entre os sexos. Ele postula que os homens, enquanto classe, dominaram estruturalmente as mulheres ao longo da hist\u00f3ria, monopolizando poder e oprimindo sistematicamente o feminino. Embora tal conceito tenha valor anal\u00edtico em certos contextos hist\u00f3ricos, sua generaliza\u00e7\u00e3o abstrata converteu-se, muitas vezes, em uma forma de imputa\u00e7\u00e3o coletiva de culpa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas palavras de Sanahuja (2005), \u201ca ideologia de g\u00eanero inverte o sentido natural da complementaridade entre homem e mulher, transformando o masculino em uma amea\u00e7a ontol\u00f3gica a ser reeducada ou extinta\u201d (p. 193). Em outras palavras, o homem, especialmente aquele que desempenha com naturalidade fun\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a, provis\u00e3o ou autoridade no \u00e2mbito familiar, passa a ser representado como um agente potencial de opress\u00e3o. Sua identidade \u00e9 desqualificada antes mesmo da a\u00e7\u00e3o, com base em uma \u201cheran\u00e7a estrutural\u201d que o torna culpado por ser quem \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fen\u00f4meno \u00e9 refor\u00e7ado no plano educacional, onde o comportamento t\u00edpico dos meninos \u2014 impulsividade, competi\u00e7\u00e3o, energia f\u00edsica \u2014 \u00e9 frequentemente tratado como desvio a ser corrigido, enquanto o perfil ideal de conduta corresponde a tra\u00e7os tradicionalmente femininos, como docilidade, obedi\u00eancia e express\u00e3o emocional cont\u00ednua (FARRELL, 1993, p. 17-19). A escola torna-se, assim, o primeiro campo de treinamento para a desconstru\u00e7\u00e3o do masculino.<\/p>\n\n\n\n<p>No campo jur\u00eddico, nota-se a prolifera\u00e7\u00e3o de leis e protocolos que, sob o argumento da prote\u00e7\u00e3o da mulher, passam a pressupor a culpabilidade do homem \u2014 mesmo na aus\u00eancia de provas. A invers\u00e3o do \u00f4nus da prova em casos de viol\u00eancia de g\u00eanero, os tribunais especializados em \u201cviol\u00eancia masculina\u201d e as diretrizes judiciais baseadas em \u201cperspectiva de g\u00eanero\u201d apontam para uma engenharia jur\u00eddica fundada em princ\u00edpios identit\u00e1rios, que afrontam a imparcialidade e a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>3. O \u201cpoder masculino\u201d como mito<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A desconstru\u00e7\u00e3o da masculinidade tradicional fundamenta-se, frequentemente, na ideia de que os homens s\u00e3o \u201cos poderosos\u201d da sociedade. A cr\u00edtica de Warren Farrell, no entanto, desmente esse axioma. Em sua obra seminal <em>The Myth of Male Power<\/em> (1993), Farrell afirma que \u201cos homens n\u00e3o s\u00e3o o sexo poderoso, mas o sexo descart\u00e1vel\u201d (FARRELL, 1993, p. 21). Para ele, o poder real consiste em controle sobre a pr\u00f3pria vida \u2014 e os homens, tradicionalmente, foram educados para servir aos outros, n\u00e3o para si mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Farrell sustenta que os pap\u00e9is masculinos tradicionais \u2014 provedor, guerreiro, chefe de fam\u00edlia \u2014 foram formas de autocancelamento, nas quais o homem assumia riscos, responsabilidades e sacrif\u00edcios em nome do bem-estar alheio. \u201cNenhuma sociedade pode chamar de privilegiado aquele grupo que, em caso de guerra, \u00e9 o \u00fanico compelido a morrer\u201d (FARRELL, 1993, p. 24). Assim, os homens morrem mais cedo, t\u00eam maior risco de suic\u00eddio, lideram estat\u00edsticas de acidentes de trabalho e s\u00e3o mais afetados por exclus\u00e3o parental em separa\u00e7\u00f5es judiciais \u2014 e, ainda assim, s\u00e3o classificados como os privilegiados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em obras posteriores, como <em>The Boy Crisis<\/em> (FARRELL; GRAY, 2018), o autor aprofunda sua an\u00e1lise ao mostrar que os meninos est\u00e3o em crise em termos educacionais, afetivos e psicol\u00f3gicos, ignorados por pol\u00edticas p\u00fablicas que priorizam apenas a promo\u00e7\u00e3o da mulher. A aus\u00eancia paterna, a falta de modelos positivos e o desest\u00edmulo \u00e0s virtudes masculinas t\u00eam gerado gera\u00e7\u00f5es de jovens homens desorientados, hipersens\u00edveis ou ap\u00e1ticos, sem projeto de vida e alvos f\u00e1ceis para ideologias radicais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cChamamos de &#8216;direitos das mulheres&#8217; \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o por sua exclus\u00e3o hist\u00f3rica, mas recusamos aos homens at\u00e9 mesmo o reconhecimento de suas obriga\u00e7\u00f5es mortais\u201d (FARRELL, 1993, p. 19).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>4. Discurso, manipula\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o da culpa masculina<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A naturaliza\u00e7\u00e3o da culpabilidade do homem n\u00e3o se imp\u00f4s apenas por meio de leis ou pol\u00edticas p\u00fablicas, mas por um <strong>processo discursivo reiterado<\/strong>, cuja efic\u00e1cia repousa no controle da linguagem. O linguista Teun van Dijk (2008) define manipula\u00e7\u00e3o como \u201cuma forma de abuso simb\u00f3lico de poder, que envolve o controle da cogni\u00e7\u00e3o social de um grupo por outro, em detrimento dos interesses dos manipulados\u201d (VAN DIJK, 2008, p. 88). Em outras palavras, o discurso institucional pode ser estruturado de modo a induzir aceita\u00e7\u00e3o de ideias sem questionamento cr\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Aplicando essa teoria \u00e0 ret\u00f3rica de g\u00eanero, v\u00ea-se que termos como \u201cpoder masculino\u201d, \u201cmasculinidade t\u00f3xica\u201d e \u201cviol\u00eancia de g\u00eanero\u201d s\u00e3o utilizados com carga moral negativa, construindo associa\u00e7\u00f5es inconscientes entre ser homem e ser opressor, violento ou perigoso. Simultaneamente, silencia-se sobre indicadores objetivos de sofrimento masculino: a maior taxa de suic\u00eddio entre homens, o abandono escolar de meninos, a aus\u00eancia de pol\u00edticas de sa\u00fade voltadas ao sexo masculino.<\/p>\n\n\n\n<p>Van Dijk adverte que a manipula\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica funciona atrav\u00e9s de <strong>eufemismos e hip\u00e9rboles<\/strong>. Assim, a recusa de um aborto \u00e9 chamada de \u201ctortura\u201d, e a simples defesa da complementaridade entre os sexos \u00e9 qualificada como \u201cdiscurso de \u00f3dio\u201d (VAN DIJK, 2008, p. 92). O mesmo se aplica \u00e0 masculinidade: seus tra\u00e7os t\u00edpicos s\u00e3o patologizados e recodificados como amea\u00e7as sist\u00eamicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A demoniza\u00e7\u00e3o do homem, portanto, \u00e9 linguisticamente induzida: cria-se um novo alfabeto moral em que ser homem \u00e9, por si, suspeito. A linguagem educativa, midi\u00e1tica e jur\u00eddica naturaliza esse julgamento coletivo, de modo que a masculinidade passa a ser algo a ser desconstru\u00eddo, nunca respeitado.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>5. Baudrillard e a nova ordem das v\u00edtimas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O culto \u00e0 identidade ferida e \u00e0 vitimiza\u00e7\u00e3o permanente foi diagnosticado por Jean Baudrillard como o n\u00facleo simb\u00f3lico das democracias tardias. Em <em>The Perfect Crime<\/em> (1995), Baudrillard descreve o advento de uma \u201cnova ordem das v\u00edtimas\u201d, na qual a superioridade moral decorre da dor, da car\u00eancia ou da exclus\u00e3o \u2014 n\u00e3o mais da virtude ou do m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA nova identidade \u00e9 a identidade de v\u00edtima. Tudo est\u00e1 organizado em torno do sujeito carente, frustrado, handicappado, e a estrat\u00e9gia da v\u00edtima consiste em ser reconhecida enquanto tal\u201d (BAUDRILLARD, 1995, p. 83).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o homem tradicional, por n\u00e3o ocupar a posi\u00e7\u00e3o de \u201cidentidade ferida\u201d, torna-se s\u00edmbolo de opress\u00e3o hist\u00f3rica. Ele \u00e9 o culpado necess\u00e1rio, o agente do \u201ccrime perfeito\u201d que precisa ser expiado. A masculinidade vira uma falha moral a ser corrigida, uma heran\u00e7a t\u00f3xica a ser sublimada. O paradoxo \u00e9 que essa invers\u00e3o simb\u00f3lica ocorre sob a bandeira dos direitos humanos \u2014 que deixam de ser universais para se tornarem uma \u201cterapia identit\u00e1ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Baudrillard nota ainda que a linguagem se torna o campo de batalha central dessa guerra simb\u00f3lica. \u201cLava-se a linguagem como se lava dinheiro sujo\u201d, diz ele \u2014 substituindo palavras como \u201chomem\u201d por \u201cpessoa com p\u00eanis\u201d, e \u201cpai\u201d por \u201cprogenitor 1\u201d. Essa assepsia verbal esconde a viol\u00eancia cultural por tr\u00e1s da pseudocompaix\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>6. Consequ\u00eancias sociais e eros\u00e3o civilizat\u00f3ria<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A guerra simb\u00f3lica contra a masculinidade n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno meramente ret\u00f3rico. Seus efeitos concretos podem ser observados em m\u00faltiplas dimens\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Crise de identidade masculina<\/strong>: Meninos sem modelos positivos e sob constante repreens\u00e3o moral por seu sexo biol\u00f3gico crescem confusos, ap\u00e1ticos ou revoltados.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Evas\u00e3o escolar masculina<\/strong>: Em muitos pa\u00edses ocidentais, os meninos j\u00e1 s\u00e3o a maioria dos desistentes escolares, o que compromete sua empregabilidade futura.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Suic\u00eddio e sofrimento ps\u00edquico<\/strong>: Homens lideram as taxas de suic\u00eddio, mas campanhas de sa\u00fade mental raramente os contemplam como grupo de risco.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Exclus\u00e3o paterna<\/strong>: A jurisprud\u00eancia familiar frequentemente favorece o monop\u00f3lio materno na guarda de filhos, ignorando o papel insubstitu\u00edvel do pai.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Misandria institucionalizada<\/strong>: O discurso pol\u00edtico e educacional retrata a masculinidade como algo a ser vigiado, reeducado e desconstru\u00eddo, n\u00e3o como valor positivo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Como observa Sanahuja (2005), \u201ca ruptura da complementaridade entre homem e mulher n\u00e3o promove igualdade, mas conflito. Substitui a coopera\u00e7\u00e3o pela desconfian\u00e7a, e a civiliza\u00e7\u00e3o pelo ressentimento\u201d (p. 201). A eros\u00e3o da masculinidade n\u00e3o \u00e9 um avan\u00e7o social, mas um retrocesso antropol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>7. Conclus\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A guerra contra a masculinidade, sob a apar\u00eancia de progresso e justi\u00e7a social, constitui uma das express\u00f5es mais profundas da crise antropol\u00f3gica contempor\u00e2nea. Ao desqualificar simbolicamente o homem, negando-lhe dignidade em sua identidade natural e em seus pap\u00e9is tradicionais, a reengenharia social global promove uma nova forma de desigualdade \u2014 agora legitimada em nome da equidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Como prop\u00f5e Warren Farrell, \u00e9 poss\u00edvel e desej\u00e1vel buscar igualdade entre os sexos. Mas essa igualdade n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ada culpabilizando coletivamente metade da humanidade, tampouco apagando as diferen\u00e7as que fundam a complementaridade entre homens e mulheres. O verdadeiro caminho passa por reconhecer que tanto homens quanto mulheres enfrentaram sacrif\u00edcios hist\u00f3ricos, e que justi\u00e7a n\u00e3o se alcan\u00e7a punindo os inocentes de hoje pelos pecados estruturais do passado.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>BAUDRILLARD, Jean. <em>The Perfect Crime<\/em>. Londres: Verso, 1995. ISBN 978-1859840728.<\/p>\n\n\n\n<p>FARRELL, Warren. <em>The Myth of Male Power: Why Men Are the Disposable Sex<\/em>. Nova Iorque: Berkley Trade, 1993. ISBN 978-0425181447.<br>Dispon\u00edvel em: <a>https:\/\/sobrief.com\/books\/the-myth-of-male-power<\/a><br>Acesso em: 28 jul. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>FARRELL, Warren; GRAY, John. <em>The Boy Crisis: Why Our Boys Are Struggling and What We Can Do About It<\/em>. Dallas: BenBella Books, 2018. ISBN 978-1942952718.<\/p>\n\n\n\n<p>SANAHUJA, Juan Claudio. <em>Poder global y religi\u00f3n universal<\/em>. Buenos Aires: Vortice, 2005. ISBN 9872246107.<\/p>\n\n\n\n<p>VAN DIJK, Teun A. Discurso e manipula\u00e7\u00e3o. <em>Cadernos de Linguagem e Sociedade<\/em>, v. 9, n. 2, p. 85-106, jul.\/dez. 2008.<br>Dispon\u00edvel em: <a>https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/les\/article\/view\/6049<\/a><br>DOI: <a>10.26512\/les.v9i2.6049<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este ensaio prop\u00f5e uma an\u00e1lise cr\u00edtica da desconstru\u00e7\u00e3o da masculinidade tradicional no contexto das pol\u00edticas de g\u00eanero promovidas internacionalmente, com \u00eanfase nos efeitos simb\u00f3licos, sociais e jur\u00eddicos produzidos por essa reengenharia cultural. 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