{"id":7307,"date":"2025-06-27T12:06:50","date_gmt":"2025-06-27T15:06:50","guid":{"rendered":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/?p=7307"},"modified":"2025-06-27T12:06:52","modified_gmt":"2025-06-27T15:06:52","slug":"a-alienacao-parental-existe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/iddh.com.br\/blog\/a-alienacao-parental-existe\/","title":{"rendered":"A Aliena\u00e7\u00e3o Parental Existe!"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em tempos de tens\u00f5es ideol\u00f3gicas, em que muitas leis passam a ser julgadas mais por suas distor\u00e7\u00f5es do que por seus prop\u00f3sitos, \u00e9 urgente reafirmar que a <strong>aliena\u00e7\u00e3o parental \u00e9 um fen\u00f4meno real, grave e danoso<\/strong> \u2014 com ou sem a exist\u00eancia de uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que o nomine.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que venha a ser revogada a <strong>Lei n\u00ba 12.318\/2010<\/strong>, como pretendem alguns setores, a responsabilidade do Estado e da sociedade de proteger crian\u00e7as e adolescentes de abusos emocionais e manipula\u00e7\u00f5es afetivas <strong>n\u00e3o pode ser relativizada nem suprimida<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que est\u00e1 em jogo?<\/h3>\n\n\n\n<p>A aliena\u00e7\u00e3o parental \u00e9 uma forma de <strong>viol\u00eancia invis\u00edvel<\/strong>, mas de efeitos devastadores. O afastamento for\u00e7ado, gradual ou estrat\u00e9gico de um dos genitores (ou de familiares afetivos importantes) compromete o desenvolvimento emocional da crian\u00e7a, gera preju\u00edzos psicol\u00f3gicos duradouros e fere frontalmente princ\u00edpios constitucionais, como o <strong>melhor interesse da crian\u00e7a<\/strong> (art. 227 da CF\/88) e o <strong>direito \u00e0 conviv\u00eancia familiar<\/strong> (art. 19 do ECA).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante lembrar que, mesmo antes da Lei 12.318\/2010, <strong>a aliena\u00e7\u00e3o parental j\u00e1 era reconhecida pela doutrina, pela psicologia forense e por decis\u00f5es judiciais<\/strong> como conduta lesiva ao desenvolvimento infantil. A lei, portanto, <strong>n\u00e3o criou o problema<\/strong> \u2014 apenas o nomeou e organizou os meios jur\u00eddicos de enfrentamento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Revogar a lei \u00e9 apagar as v\u00edtimas?<\/h3>\n\n\n\n<p>A campanha contra a Lei da Aliena\u00e7\u00e3o Parental costuma partir de argumentos leg\u00edtimos: o risco de uso estrat\u00e9gico por agressores, a banaliza\u00e7\u00e3o do instituto, a invers\u00e3o indevida de guardas. Contudo, a solu\u00e7\u00e3o para eventuais distor\u00e7\u00f5es <strong>n\u00e3o \u00e9 a revoga\u00e7\u00e3o total<\/strong>, mas o <strong>aperfei\u00e7oamento legal, o rigor t\u00e9cnico e o bom senso judicial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao eliminar completamente o arcabou\u00e7o jur\u00eddico que permite identificar, prevenir e sancionar a pr\u00e1tica de aliena\u00e7\u00e3o, estaremos <strong>desprotegendo milhares de crian\u00e7as<\/strong> que hoje t\u00eam seus v\u00ednculos rompidos por manipula\u00e7\u00f5es emocionais \u2014 muitas vezes disfar\u00e7adas de zelo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A aliena\u00e7\u00e3o parental n\u00e3o \u00e9 um del\u00edrio ideol\u00f3gico<\/h3>\n\n\n\n<p>A tentativa de rotular a aliena\u00e7\u00e3o parental como um &#8220;instrumento jur\u00eddico criado para proteger pais abusadores&#8221; \u00e9, al\u00e9m de injusta, perigosa. Assim como qualquer instituto jur\u00eddico, ela pode ser usada de m\u00e1-f\u00e9 \u2014 mas isso <strong>n\u00e3o invalida sua ess\u00eancia nem sua necessidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio <strong>desideologizar a inf\u00e2ncia<\/strong>. A crian\u00e7a precisa de prote\u00e7\u00e3o integral, e isso inclui o <strong>direito de amar ambos os genitores<\/strong>. Promover a conviv\u00eancia saud\u00e1vel entre pais e filhos, ainda que separados por conflitos conjugais, <strong>n\u00e3o \u00e9 um favor \u2014 \u00e9 um dever jur\u00eddico e \u00e9tico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Mesmo sem a lei, a prote\u00e7\u00e3o continua sendo obriga\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Mesmo que a Lei 12.318\/2010 venha a ser revogada \u2014 o que, ali\u00e1s, ainda n\u00e3o ocorreu \u2014 o ordenamento jur\u00eddico brasileiro continua dispondo de <strong>instrumentos suficientes para coibir a aliena\u00e7\u00e3o parental<\/strong>, com base em:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Princ\u00edpios constitucionais do afeto, da dignidade humana e da conviv\u00eancia familiar;<\/li>\n\n\n\n<li>Artigos do <strong>C\u00f3digo Civil<\/strong> sobre guarda, deveres parentais e responsabilidade civil;<\/li>\n\n\n\n<li>Preceitos do <strong>Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente<\/strong>, que asseguram a conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria como direito fundamental.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O que se exige \u00e9 <strong>compromisso t\u00e9cnico, forma\u00e7\u00e3o adequada dos operadores do Direito e sensibilidade social<\/strong>, para que essa viol\u00eancia silenciosa n\u00e3o seja confundida com mero conflito conjugal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o: a causa n\u00e3o termina com a lei<\/h3>\n\n\n\n<p>O Instituto de Defesa dos Direitos do Homem reafirma seu posicionamento: <strong>a aliena\u00e7\u00e3o parental \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o dos direitos da crian\u00e7a e deve ser combatida com firmeza<\/strong>, com ou sem legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a lei for revogada, que se reforce a rede de prote\u00e7\u00e3o; que se aperfei\u00e7oe a escuta da crian\u00e7a; que se capacitem ju\u00edzes, promotores, defensores, psic\u00f3logos e advogados para <strong>distinguir conflitos leg\u00edtimos de manipula\u00e7\u00f5es destrutivas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque proteger os v\u00ednculos afetivos de uma crian\u00e7a \u00e9, acima de tudo, <strong>proteger sua identidade, sua sa\u00fade emocional e seu futuro<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de tens\u00f5es ideol\u00f3gicas, em que muitas leis passam a ser julgadas mais por suas distor\u00e7\u00f5es do que por seus prop\u00f3sitos, \u00e9 urgente reafirmar que a aliena\u00e7\u00e3o parental \u00e9 um fen\u00f4meno real, grave e danoso \u2014 com ou sem a exist\u00eancia de uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que o nomine. 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